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10 min de leitura Por Edison Antunes

Branding: o lado emocional que ninguém te conta

Capa — Branding: o lado emocional que ninguém te conta

Em quase 25 anos conduzindo processos de marca, aprendi que a parte mais difícil nunca é criar o logo, o nome ou o sistema visual. A parte difícil é a pessoa do outro lado da mesa.

Ninguém fala sobre isso. Os artigos de branding falam de arquétipo, de golden circle, de território visual. Quase nenhum fala do que realmente trava — ou destrava — um projeto de marca: o que se passa na cabeça de quem construiu a empresa.

A marca do empresário não é um logo. É ele.

Para quem pega um manual de identidade, a marca é um conjunto de decisões de design. Para quem passou dez, vinte, quarenta anos construindo a empresa, a marca é outra coisa. Ela carrega o primeiro cliente. A crise que quase levou tudo. O nome que o sócio, o pai ou a esposa ajudou a escolher numa mesa de cozinha. O logo feito às pressas porque não dava para esperar.

Psicólogos chamam isso de self-extension: usamos o que criamos e possuímos para dizer quem somos — para os outros e para nós mesmos. Para um fundador, a marca não é um ativo da empresa. Ela é, em boa parte, a própria identidade.

É por isso que a frase que eu mais repito em reunião é: marca não é sobre o produto. É sobre o sonho que foi sofrido para chegar até aqui.

Por que mexer na marca dói — e a ciência concorda

Quando um empresário resiste a mudar a marca, a leitura fácil é "ele é teimoso" ou "tem apego". Não é bem isso. É como a mente humana funciona, e a economia comportamental já mapeou os mecanismos:

  • Efeito da posse (endowment effect). A gente atribui mais valor ao que é nosso pelo simples fato de ser nosso. A marca da sua empresa vale mais para você do que valeria se fosse de outra pessoa — e isso não é irracionalidade, é padrão.
  • Aversão à perda. A dor de perder algo pesa quase o dobro do prazer de ganhar algo equivalente. Trocar a marca é sentido primeiro como perda — do que já existe — e só depois como ganho.
  • Efeito IKEA. Num estudo de Harvard, pessoas valorizaram cerca de 60% mais os objetos que montaram com as próprias mãos do que objetos idênticos feitos por outra pessoa. Quem construiu a marca a valoriza pelo esforço embutido nela. E aqui está a parte delicada: aceitar que a marca "não serve mais" pode soar como aceitar que anos de esforço foram em vão — e a mente recusa isso, porque ninguém quer concluir que o próprio trabalho não valeu.
  • Nostalgia. Mudar a marca pode parecer apagar um capítulo da própria história.

Nada disso é fraqueza. É a régua com que qualquer pessoa mede o que construiu. Um bom processo de branding conta com isso desde o primeiro dia — não tenta convencer o empresário de que ele está errado por sentir.

A curva emocional de um rebranding

A psicóloga Elisabeth Kübler-Ross descreveu, para o luto, estágios que a gestão de mudança depois adaptou para o mundo corporativo: negação, raiva, negociação, desânimo, aceitação. Num processo de marca, isso costuma aparecer assim:

  • Negação: "nossa marca está ótima, o problema é a divulgação."
  • Raiva: "vocês não entendem o que a gente construiu aqui."
  • Negociação: "e se a gente só atualizar a cor e a tipografia?"
  • Desânimo: "acho que não é a hora, deixa para o ano que vem."
  • Aceitação: "agora sim — isso aqui é a gente."

Uma ressalva honesta: isso não é uma régua. A própria Kübler-Ross dizia que ninguém vive os estágios em ordem, e que muita gente pula alguns — ou volta atrás. Não serve para "diagnosticar" o cliente. Serve para a agência entender que resistência não é o fim da conversa — é uma etapa dela, e caminhar junto em vez de empurrar.

Como eu identifico quem está pronto — e quem não está

Essa foi a lição mais cara desses anos. Nem todo empresário que quer um branding está pronto para um.

Sinais de quem está pronto:

  • Já separa "eu" de "a marca" — consegue falar da empresa em terceira pessoa.
  • Reconhece, sem que a gente diga, que a marca ficou pequena para o tamanho do negócio.
  • Tem clareza de para onde a empresa vai nos próximos anos.
  • Traz o time ou os sócios junto, não decide sozinho para "vender" internamente depois.

Sinais de quem ainda não está:

  • Pede rodada após rodada de nome e logo, aprova e depois volta atrás.
  • O apego ao que existe é claramente maior do que a vontade de mudar.
  • Não há um destino definido — "quero algo mais moderno" sem dizer para quê.
  • A decisão está emperrada entre sócios que querem coisas diferentes.

Quando os sinais apontam para "ainda não", o certo é dizer isso. Um rebranding entregue no momento errado não é implementado — vira um PDF bonito na pasta e uma relação desgastada.

Quanto tempo isso leva

Depende do escopo contratado e, principalmente, do quanto a pessoa está pronta. Um empresário preparado, com um projeto de escopo objetivo, fecha um processo de branding em torno de 3 meses. Um empresário que ainda não está pronto pode levar mais de um ano — e, às vezes, o processo não termina. Os dois casos a seguir mostram os extremos.

Dois casos que resumem tudo

Os nomes das empresas e dos empresários abaixo foram omitidos de propósito. Este texto existe para tratar com honestidade um assunto que muita gente trata como detalhe — e o mínimo de coerência com isso é não expor quem confiou o próprio negócio, e a própria história, a gente.

Já entreguei marcas das quais tenho orgulho e que nunca saíram do arquivo. E já levei mais de um ano num processo que "deveria" ter três meses. Os dois aconteceram, e os dois foram a decisão certa.

O processo que não foi implementado

O dono de uma rede de cursos profissionalizantes me procurou querendo um rebranding. No primeiro contato, eu disse: você talvez não esteja pronto para isso.

Havia um problema concreto além do emocional. O nome da empresa não tinha nada de distintivo — existiam centenas de negócios com o mesmo nome —, e ele nunca tinha conseguido registrá-lo, porque um concorrente já o tinha. A marca que ele defendia com unhas e dentes juridicamente nem era dele.

Ainda assim, ele quis seguir, e fizemos um branding premium: equipe sênior, pesquisa de mercado e pesquisa com todo mundo que vivia a marca — franqueados, alunos dos franqueados, funcionários, parceiros e o próprio empresário. No brainstorm chegamos a 360 possibilidades de nome. Depois de cruzar com o que as pesquisas apontaram, sobraram 20 alinhados. Desses, 3 eram registráveis no INPI e no registro.br — e foram registrados.

Gravamos um vídeo apresentando os três nomes para o empresário e a equipe. Foi um dos momentos mais bonitos que já vivi numa entrega: emoção de verdade, gente com lágrimas nos olhos. Ele escolheu um nome ali, e seguimos para a etapa de logotipo.

No meio dessa etapa, ele ligou cancelando o processo.

E está tudo bem. Desde o começo eu tinha dito que talvez não fosse a hora. A aceitação daquele dia do vídeo foi real — mas aceitação não é um interruptor que fica ligado. Algo o puxou de volta, e o timing dele é dele, não meu. O trabalho de pesquisa e os nomes registrados continuam ali, prontos, para quando fizer sentido.

O processo que levou mais de um ano

O nosso trabalho, no fundo, é identificar a emoção, o significado e a história da marca atual para transportar isso, de alguma forma, para a marca nova. Quando o empresário sabe o que sente — mesmo sem saber explicar —, a gente tem um fio para puxar.

Com a dona de uma imobiliária de bairro, esse fio não apareceu de cara. Ela não conseguia colocar em palavras o que sentia e não dava nenhum sinal de vínculo emocional com nada — nem com a marca antiga. E quando não há âncora emocional nenhuma, o processo quase sempre caminha para o fracasso.

Quase. Nesse caso, a gente insistiu, com calma, por mais de um ano — até ajudá-la a encontrar o que ela mesma não conseguia nomear. O processo terminou, ela está satisfeita, e a marca nova está aguardando o deferimento do INPI.

Um ano para um branding parece muito. Mas a alternativa era entregar uma marca sem alma no prazo "normal" — e essa ela não teria implementado.

O erro do "logo pronto"

Quando a Mansão Maromba, do Toguro, abriu um desafio público para redesenhar o logo, dezenas de designers apareceram com a marca pronta — layout fechado, mockup, apresentação — sem nunca ter trocado uma palavra com ele sobre o que aquilo significa.

É o oposto de um processo de branding. Chegar com o logo pronto trata a marca como um problema de estética: "o desenho está feio, vamos fazer um bonito". Mas o "ET" ali não é um desenho. É o meme que virou identidade, que virou negócio, que virou o sustento de muita gente. Isso não se redesenha numa tarde. Você entende o que aquilo carrega antes de tocar — senão o resultado pode ser lindo e não ser a marca.

Sem briefing, sem escutar a história, o que se entrega é um logo. Não uma marca.

Como a MindBrand conduz

Todo trabalho nosso começa com pesquisa — e não só de tendência visual. Como no caso da rede de cursos, a gente escuta quem vive a marca por dentro e por fora:

  • O mercado e os concorrentes — onde existe espaço, o que já está saturado, que território ninguém ocupou.
  • Fornecedores e parceiros — como a empresa é vista na cadeia, que reputação ela carrega antes do cliente final.
  • Os clientes — o que fez eles escolherem, o que esperam, o que não pode mudar.
  • O empresário — a história, o "porquê", o que aconteceu para a empresa existir e o que não pode se perder na transição.

Só com isso a nova marca carrega o simbolismo e o sentimento certos para a próxima fase — alinhada ao mercado, ao cliente e a quem construiu. E o que for de valor jurídico (nome, domínio) já sai do processo registrado, não como promessa.

A gente não substitui a sua história. A gente a traduz para onde você quer chegar.

Antes de decidir

Se você sente que a sua marca ficou pequena para o tamanho do seu negócio, mas ainda dói pensar em mexer nela — isso é normal. É exatamente a conversa que a gente sabe conduzir, sem pressa e sem passar por cima do que você construiu.

Comece por entender o que é branding e quanto custa. Quando fizer sentido, fale com a gente.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva um processo de branding?

Cerca de 3 meses quando o empresário está pronto e o escopo é objetivo. Pode passar de um ano quando a pessoa ainda não está pronta ou não tem clareza do destino. O prazo é menos sobre o trabalho e mais sobre o momento de quem decide.

E se eu contratar o branding e, no fim, não quiser mudar?

Acontece, e faz parte. O trabalho de pesquisa e estratégia continua valioso mesmo sem a troca visual — muitas vezes ele esclarece o posicionamento e adia a mudança para um momento melhor. Nomes e domínios registrados no processo ficam com você.

Preciso trocar o nome também?

Nem sempre. Naming é uma decisão à parte, e um nome com história e reconhecimento costuma ser um ativo a preservar. Mas se o nome atual não é registrável — ou já é de um concorrente —, isso muda a conversa.

Como sei se a minha marca "ficou pequena"?

Alguns sinais: você evita mandar o site ou o cartão para um cliente grande; a marca comunica um porte menor do que a empresa já tem; ela não cabe nos novos produtos ou mercados; internamente, ninguém tem orgulho dela.

Fontes

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