MindBrand
31 min de leitura Por Edison Antunes

Agência de marketing não funciona? A conta que ninguém mostra

Marketing mal feito é só custo. Marketing bem feito, alinhado à estratégia e com o comprometimento do cliente, vira investimento e é barato.

Capa: Agência de marketing não funciona? A conta que ninguém mostra

Atualizado em outubro de 2026. Os números de mercado deste artigo vêm de pesquisa setorial e de regras públicas de custo de pessoal. As contas, os exemplos e as observações sobre o dia a dia das agências são da MindBrand e estão ditos como tal.

Resumo

  • Quando a agência de marketing "não funciona", o problema quase sempre começa na compra, e não só na entrega: escopo vago, preço decidindo no lugar de indicador, promessa no lugar de combinado.
  • Agência é uma empresa e faz conta. Um gestor sênior de Google Ads custa, com encargos, de R$ 8.800 a R$ 10.500 por mês. Se ele cuida de 20 contas, sobram cerca de 8 horas por mês para cada uma.
  • Preço é escopo. Um site de R$ 6.500 não é um site de R$ 15 mil com desconto, e logo com identidade visual não é branding.
  • Preço não é o único culpado. Numa pesquisa setorial de 2026 com agências brasileiras, preço aparece em 10% dos motivos de cancelamento citados. Pesam mais a falta de percepção de valor (16%), a mudança de prioridades (13%) e as expectativas desalinhadas (12%).
  • Marketing é só uma parte do processo. A empresa precisa estar alinhada à estratégia definida. O que acontece lá dentro (lead sem resposta, proposta desconexa, preço, prazo) a agência não controla.
  • O cliente também decide o resultado. Time de vendas que não atende, ausência de CRM, preço sem posicionamento e verba incompatível com a meta derrubam qualquer campanha.
  • Marketing vira investimento, e não custo, quando existe alguém que cobra, conhece os números e liga marketing, CRM e vendas.
  • Dá para contratar melhor: diagnóstico antes da proposta, indicador escrito no contrato, contas de anúncio e domínio no seu nome, fee separado da verba.
  • Na MindBrand, mais de 95% de todos os clientes que já atendemos vieram de outras agências depois de uma experiência ruim, e alguns estão conosco desde 2017, antes de a Fastcore virar MindBrand.
  • Nem sempre a resposta é uma agência. Em alguns casos, time interno ou consultoria resolvem melhor, e o artigo diz quando.

Por que a agência de marketing "não funciona" (e quando funciona)

A frustração é real e é comum. A empresa contrata uma agência, paga todo mês, recebe relatório e, no fim do semestre, não consegue responder à pergunta mais simples: o marketing trouxe cliente? Quando isso acontece, a conclusão mais rápida é "agência de marketing não funciona". Na maioria dos casos que vemos, a conclusão correta é outra: aquela contratação, daquele jeito, não tinha como funcionar.

Este artigo parte de uma tese incômoda para os dois lados: o resultado ruim raramente nasce de uma única causa. Nasce de um conjunto de decisões tomadas antes de a primeira campanha rodar, e boa parte delas é do cliente, não da agência. Por isso vamos falar das duas pontas, com contas, e não com acusações.

O que o cliente espera e o que o contrato entrega

Quem contrata espera vendas. O contrato, na maioria das vezes, descreve atividades: número de posts, campanhas gerenciadas, relatórios mensais. A agência cumpre o que está escrito, o cliente cobra o que esperava, e os dois acham que estão certos.

O que se vende numa contratação de marketing é, em grande parte, uma promessa que qualquer contrato aceita. Não há como escrever ali "o cliente espera dobrar as vendas" ao lado de "a agência oferece 12 posts por mês". São coisas diferentes, e é aí que a expectativa se descola da entrega. Quando o combinado não inclui um indicador, a conversa sobre resultado vira opinião.

Existem agências sérias: como reconhecer

Antes de qualquer crítica, uma ressalva honesta: existem muitas agências sérias, e elas têm sinais parecidos. Os que mais separam as boas das ruins:

  • Retenção de clientes. O melhor termômetro de uma agência é quanto tempo os clientes ficam. Agência que troca de carteira inteira a cada ano está resolvendo o problema errado.
  • Diagnóstico antes da proposta. Se o preço chega antes de a agência entender o seu ticket, a sua margem e o seu atendimento, o que está sendo vendido é um pacote.
  • Relatório com contatos e custo, e não só com alcance e curtidas.
  • Nome e prazo de resposta de quem atende a sua conta, ditos antes de fechar.
  • Contas, domínio e base de contatos no seu nome.

Nós prestamos serviço também para outras agências, cobrindo férias, licenças e picos de demanda, e isso nos dá uma visão por dentro de como a carteira de clientes se movimenta. Num padrão que vemos com frequência, uma agência entra com 10, 15 ou 20 clientes novos num mês e perde quase o mesmo número no mesmo período. Isso não é azar: é o sinal de um modelo que depende de vender mais para compensar quem sai.

Dois jeitos de contratar que quase sempre dão errado

Pela nossa experiência, a maior parte das contratações que dão errado cai em dois padrões. Nenhum dos dois é maldade de ninguém, e os dois são previsíveis.

Quem compra por preço

O primeiro comprador pede três orçamentos e fecha o menor. A lógica parece sensata: se os três entregam "marketing", por que pagar mais? O problema é que os três não vendem a mesma coisa. Para caber no preço, a agência corta o que não aparece na proposta: tempo de análise, atenção do profissional sênior, produção original, reunião de resultado.

Quem cobra pouco precisa de muitos clientes para fechar a conta, e muitos clientes por profissional significam pouco tempo para cada um. A consequência é a entrega que o comprador de preço acaba reclamando: relatório automático, criativo reaproveitado, pouca análise. A agência até cumpre o contrato, mas o contrato nunca pagou por mais do que isso. Veja mais sobre esse mecanismo em por que gestão barata queima verba.

Quem compra promessa de "especialista famoso"

O segundo comprador vai atrás de quem tem nome: o especialista de curso, de palco, de reunião com famosos. A promessa é de método, de atalho, às vezes de resultado garantido. O que chega depois da assinatura costuma ser outra coisa: um processo padronizado, uma equipe júnior e o mesmo roteiro aplicado a negócios diferentes.

O ponto aqui não é desqualificar quem ensina ou palestra. É lembrar que nome conhecido não é indicador. Pergunte sempre o que muda no seu negócio, quem faz o trabalho no dia a dia e qual número vai provar que funcionou. Se a resposta for uma frase de efeito, a proposta ainda não está pronta.

A agência também é uma empresa e faz conta

Dono de agência também é empresário: tem folha para pagar, imposto, ferramenta, aluguel e uma meta de margem. O cliente que calcula com rigor o custo industrial do próprio produto costuma esquecer que a agência faz exatamente a mesma conta. E que essa conta limita o que ela pode entregar por determinado preço.

O que entra no preço de uma agência

O fee mensal de uma agência precisa cobrir, no mínimo:

  • o custo do profissional que faz o trabalho, com salário e encargos;
  • a fração do tempo de quem coordena e revisa;
  • ferramentas, licenças e relatórios;
  • impostos sobre o faturamento;
  • o custo de vender e de atender (comercial, reuniões, suporte);
  • a margem que mantém a empresa de pé.

Quando a proposta é muito abaixo da faixa de mercado, alguma dessas linhas foi cortada. Quase sempre a primeira é o tempo do profissional. Veja a faixa praticada em fee de gestão e verba de mídia.

Por que a conta do cliente raramente inclui a conta da agência

Quem compra olha o preço da agência contra o preço da concorrente. Quase ninguém olha o preço contra o custo de fazer bem feito. É por isso que a próxima seção existe: ela mostra, com números simples, o que cabe dentro de um fee de gestão de Google Ads.

A conta do Google Ads por dentro

Gestão de Google Ads é o serviço mais contratado em tráfego pago e o mais fácil de calcular. Não é preciso acreditar em nós: basta fazer a conta com as regras públicas de custo de pessoal.

Quanto custa um gestor sênior

Vamos usar um exemplo deliberadamente conservador: um salário de R$ 6.500 por mês. As faixas divulgadas para gestor de tráfego sênior costumam ser mais altas, então o custo real tende a ser maior do que o do exemplo.

Sobre o salário, o empregador paga o FGTS (8%) e provisiona o 13º salário, as férias e o terço constitucional de férias. Só isso soma 27,44% do salário. Fora do Simples Nacional, entram ainda o INSS patronal, o RAT e as contribuições a terceiros, que somam de 26,8% a 28,8%. Com R$ 500 de benefícios por mês, o custo total do profissional fica em:

  • cerca de R$ 8.800 por mês numa empresa do Simples Nacional;
  • cerca de R$ 10.500 por mês numa empresa fora do Simples.

Em outras palavras, o custo real de um funcionário CLT fica entre 1,4 e 1,7 vez o salário.

Quantas contas, quantas horas

Um mês tem cerca de 20 dias úteis, ou 160 horas de trabalho. A pergunta que o cliente raramente faz é quantas contas de anúncio esse profissional atende. Na nossa experiência, em muitas agências um único gestor chega a cuidar de cerca de 20 contas. A tabela abaixo mostra o que isso significa:

Contas por gestorHoras por conta ao mêsCusto do gestor por conta (Simples)Custo do gestor por conta (fora do Simples)
820 hcerca de R$ 1.100cerca de R$ 1.300
1213 hcerca de R$ 730cerca de R$ 880
208 h (cerca de 24 min por dia útil)cerca de R$ 440cerca de R$ 530

Os valores são uma simulação com as premissas acima, e não um preço de mercado. Eles não incluem imposto, ferramentas, coordenação, comercial nem margem. Ou seja, o custo do gestor é só o piso do fee.

O que dá para fazer em 8 horas por mês

Uma conta de Google Ads bem cuidada pede, ao longo do mês: revisar termos de pesquisa e negativar o que não serve, ajustar lances e orçamentos, testar anúncios, revisar a página de destino, conferir se as conversões estão sendo medidas direito e preparar uma leitura de resultado que o cliente entenda. Em 8 horas, dá para fazer o essencial de manutenção. Não dá para investigar por que o contato não virou venda, nem para testar uma ideia nova com calma.

Isso não significa que toda conta precise de 20 horas. Contas pequenas podem rodar bem com menos. O ponto é outro: o tempo por conta é uma informação que você pode e deve pedir. Uma agência que sabe responder quantas contas cada gestor atende e quanto tempo dedica à sua tem controle sobre o próprio trabalho.

O que perguntar à agência sobre isso

  • Quantas contas de anúncio cada gestor atende?
  • Quem será o profissional da minha conta e qual a senioridade dele?
  • Quantas horas por mês estão previstas para a minha campanha?
  • A verba de mídia é paga direto à plataforma, e o fee é separado?

Para entender como o mercado compõe o fee e a verba, veja fee fixo ou porcentagem da verba. E se quiser ver como o Google Ads vem mudando com a inteligência artificial, leia Gemini e Google Ads em 2026. Nossa página de campanhas de mídia paga mostra como trabalhamos.

Preço é escopo: três exemplos reais

A conta do Google Ads mostra o princípio, que vale para quase tudo o que uma agência vende: o preço não é uma tabela de itens, é o tamanho do trabalho. Quando o cliente negocia o preço sem negociar o escopo, a agência tem duas saídas: recusar ou entregar menos.

Site: o de R$ 3.500, o de R$ 15 mil e o de R$ 65 mil

Um exemplo que acontece o tempo todo. A nossa régua para um site parte de R$ 15 mil, porque nasce do que o cliente precisa: estratégia, estrutura, redação, design, desempenho, SEO técnico e medição. Vem a contraproposta: "pago R$ 6.500, no máximo". Dá para fazer. E o cliente vai receber um site de R$ 6.500. Se disser R$ 3.500, também dá, e ele vai receber um de R$ 3.500.

O que não dá é entregar o mesmo site de R$ 15 mil, de R$ 35 mil ou de R$ 65 mil por esse valor. Cada faixa compra uma quantidade diferente de pesquisa, de conteúdo, de teste e de integração. Em o custo total de propriedade que o site barato esconde, mostramos o que costuma aparecer depois: refazer, corrigir, pagar de novo. A nossa solução de sites e e-commerce parte sempre do que o site precisa fazer pelo negócio.

Branding: quando "logo e identidade visual" viraram "branding"

O segundo exemplo é o mais sensível, porque envolve o nome do próprio serviço. Hoje se vende logotipo e identidade visual como se fossem branding, e não são. A pergunta honesta é: de quem é a culpa? Das agências que sabem a diferença e vendem assim mesmo, ou de quem procura um "branding" por R$ 5 mil? Provavelmente dos dois, e foi assim que o termo virou logotipo bem acabado.

Branding é gestão de marca: posicionamento, proposta de valor, voz, arquitetura, aplicação. Identidade visual é uma das entregas dele. Para entender a diferença, veja o que é branding. E, se a dúvida é o que muda o preço, leia quando o branding barato sai caro.

No terceiro exemplo, voltamos à conta do gestor. Uma gestão de R$ 800 por mês, com custo de pessoal por conta de R$ 440 a R$ 530 antes de imposto e ferramenta, deixa quase nada para tempo de análise, de teste ou de reunião. Isso não quer dizer que toda gestão barata seja ruim. Quer dizer que, quando o preço é muito baixo, vale perguntar o que foi cortado para ele caber. Se a resposta for "atenção ao seu caso", a agência está vendendo uma gestão automática com o nome de uma gestão cuidadosa.

O que um branding de verdade exige

Como o branding é o serviço mais confundido, vale detalhar o que um processo decente envolve. Na nossa prática, ele leva no mínimo três meses, com várias pessoas envolvidas, do nosso lado e do seu.

A primeira fase é de entendimento, e dura pelo menos um mês. Ela inclui pesquisa de mercado, de concorrentes, de clientes, de parceiros, de funcionários, de diretoria e conversa com o proprietário. Só com esse material se consegue responder onde a empresa está e para onde quer ir, com ferramentas como análise SWOT e Golden Circle. Só depois dessa fase começa a segunda: posicionamento, plataforma de marca, naming quando necessário, identidade e aplicação.

Isso custa caro porque exige tempo de gente experiente. É por isso que é mais fácil, para quem vende, chamar de branding uma entrega de logotipo e seguir. Quem compra, por sua vez, recebe algo bonito que não resolve o problema de posicionamento que o fez procurar a agência. Em quanto tempo leva um projeto de branding, explicamos as etapas. Veja também como trabalhamos em branding.

Por que a disputa vira preço e não qualidade

Se a conta é tão simples, por que o mercado insiste em competir por preço? Porque o cliente tem dificuldade de comparar qualidade antes de contratar, e preço é a única coisa que dá para comparar numa planilha.

O que acontece quando o preço baixa e a entrega precisa caber

Existe um mecanismo previsível. O cliente quer pagar o mais barato. A agência, que também precisa pagar as contas, baixa o preço para fechar. Para a conta fechar, passa a atender mais clientes por profissional, ou a usar profissionais menos experientes, ou a padronizar a produção. Em poucos meses, o cliente sente a queda de atenção, cancela, e a agência volta a vender para outro cliente com a mesma lógica. É um ciclo em que os dois lados perdem.

O que os dados de mercado mostram sobre preço, valor percebido e cancelamento

Uma pesquisa setorial de 2026 com agências e consultorias brasileiras ajuda a enxergar o quadro com mais cuidado. Segundo as próprias agências:

  • os motivos mais citados para perder clientes foram falta de percepção de valor no serviço (16%), mudança de prioridades do cliente (13%) e expectativas desalinhadas (12%). Preço apareceu em 10%;
  • entre os motivos que levam um cliente a escolher uma agência, atendimento e relacionamento lideraram (28%), seguidos de indicação (23%) e especialização em nicho (19%). Preço apareceu com 8%;
  • para 34% das agências, o ticket médio por cliente era de até R$ 2 mil por mês, e só 18% tinham ticket médio acima de R$ 15 mil.

Duas leituras são possíveis, e as duas são verdadeiras. A primeira: preço, sozinho, explica pouco dos cancelamentos. O que pesa é o cliente não enxergar o valor e as expectativas não terem sido combinadas. A segunda: a base de contratos ainda é muito concentrada em tickets baixos, e é nesse extrato que a conta da agência mais aperta. Vale lembrar que são respostas de agências, numa amostra de algumas centenas de empresas, e que representam o que elas percebem, não necessariamente o que cada cliente pensa.

A conclusão prática é simples: o preço é o que faz o cliente entrar, e a falta de valor percebido é o que o faz sair. Para reduzir o risco, é preciso combinar desde o início o que vai ser medido e como o resultado será mostrado.

A parte do cliente: o que não é culpa da agência

Se o artigo parasse na seção anterior, seria injusto com quem trabalha em agência. Há resultados ruins que nenhuma agência, por mais competente, conseguiria evitar. Eles têm origem do lado de dentro da empresa.

Nós já passamos por isso na pele. Muitos clientes nos propuseram que ganhássemos apenas no resultado. À primeira vista parece ótimo, e no começo nós aceitamos: analisamos o negócio e o mercado e assumimos o risco. O que aprendemos é que marketing é só uma parte do processo. Ele traz a pessoa certa até a empresa. O que acontece depois da chegada não está nas nossas mãos.

Para o marketing funcionar, a empresa precisa estar alinhada à estratégia que foi definida. Isso é o básico, e é justamente o que a agência não consegue impor de fora.

O que acontece dentro da empresa e a agência não controla

  • Lead que não é atendido, ou que é respondido tarde demais, quando o momento de compra já passou.
  • Proposta comercial desconexa do que o marketing prometeu. O anúncio fala de uma coisa, a proposta entrega outra.
  • Preço fora do mercado, sem posicionamento que o justifique.
  • Prazo e qualidade de entrega abaixo do que foi vendido.

Nada disso aparece no relatório de campanha, e nada disso a agência pode corrigir de fora. Quando o resultado é fraco, quem olha só para a campanha procura o problema no lugar errado.

Time de vendas que não atende, sem CRM, sem funil medido

É a causa mais comum e a menos admitida. A campanha traz contatos, mas a resposta demora horas no WhatsApp, ninguém faz follow-up e não existe registro de quem comprou. A agência mostra 100 contatos no relatório, o cliente fecha 3 vendas e conclui que o marketing "não funcionou". Sem um responsável pelo atendimento, um prazo de resposta e um CRM, nem a melhor campanha converte. O tráfego pago só traz gente; quem vende é a empresa.

Preço acima do mercado, sem posicionamento que o sustente

Uma empresa pode cobrar mais do que a concorrência, desde que o mercado entenda por quê. Quando o preço é alto e o posicionamento é genérico, o cliente compara, não vê diferença e vai embora. Nenhum anúncio resolve isso. Antes de investir em mídia, a empresa precisa saber para quem vende, o que a diferencia e por que isso vale o preço. É um trabalho de marca, e não de campanha.

Verba incompatível com a meta

Uma meta de 30 vendas por mês com uma verba que mal paga 30 contatos não fecha. A conta precisa ser feita antes de assinar: ticket, margem, taxa de fechamento e custo por contato. Quando não é, o resultado parece fraco e a conversa vira preço da agência. Veja quando tráfego pago não é o primeiro passo.

Expectativa de milagre

Existe uma crença de que contratar marketing é comprar vendas. Não é. Marketing aumenta a chance de o cliente certo chegar até você. Convertê-lo depende do produto, do preço, do atendimento e do fechamento. O tempo também conta: cada ciclo de otimização leva semanas para mostrar sinal e meses para consolidar. Marketing não faz milagre, e esperar que a responsabilidade seja toda da agência não faz sentido. Quem espera milagre em 30 dias vai se frustrar com qualquer agência.

Quando o marketing vira investimento, e não custo

Depois de tudo isso, vale dizer com que tipo de cliente o marketing mais funciona, porque a resposta ajuda a explicar o que dá errado nos outros.

O cliente que mais gostamos de atender

O cliente com quem mais gostamos de trabalhar tem alguém responsável por marketing, um CMO ou um gestor equivalente, que sabe o que quer, sabe cobrar, conhece os números e as métricas e acompanha todo o resultado. Essa pessoa não pergunta se a campanha "está indo bem". Pergunta quanto custou cada contato, quantos viraram proposta e quanto voltou em venda. Para uma agência, é a melhor situação possível: a conversa é sobre dados, e não sobre opinião.

Tudo conectado: marketing, relatórios, CRM, conversões e valores

Nesses clientes, tudo está ligado. Cada contato tem a origem registrada, cada negociação tem etapa e valor, e o resultado de uma campanha pode ser comparado com a venda que ela gerou. Quando isso existe, a agência otimiza o que importa e o cliente decide com base no retorno. Na nossa experiência, é onde a parceria funciona e dura, porque os dois lados enxergam o mesmo número. Para ligar essas peças, veja a nossa automação de marketing.

Custo ou investimento

Quem não faz marketing de forma direcionada, sem objetivo, sem medição e sem ligação com vendas, enxerga custo: uma despesa mensal que não se sabe se compensa. Quem sabe o que está fazendo enxerga investimento: o dinheiro entra, a venda sai e a conta fecha. É assim que o marketing fica barato. Não porque o fee é baixo, mas porque cada real aplicado tem um retorno que se enxerga.

Sinais de que a agência não está funcionando

Se você tem dúvida se o problema é a agência, estes sinais ajudam a separar a causa:

  • Você não consegue ver resultado em números. O relatório fala em alcance, curtidas e impressões, mas não em contatos, custo por contato e vendas.
  • A proposta veio antes do diagnóstico. A agência passou o preço sem perguntar sobre o seu ticket, a sua margem e o seu atendimento.
  • Você não sabe quem cuida da sua conta, nem em quanto tempo ela responde.
  • As contas de anúncio, o domínio e o pixel estão no nome da agência, e você não tem acesso de administrador.
  • A estratégia é a mesma para todos os clientes. O criativo é reaproveitado, o calendário é padrão, e nada foi ajustado em meses.
  • A comunicação sumiu depois da assinatura.

Um ou dois sinais isolados podem ser um problema de comunicação que se resolve numa reunião. Três ou mais indicam um problema estrutural.

Como contratar uma agência de marketing sem se arrepender

Quase tudo o que dá errado numa contratação pode ser evitado antes da assinatura. Estes são os cinco pontos que mais pesam.

Exija diagnóstico antes da proposta

Uma proposta séria nasce de uma conversa sobre o seu negócio: o que você vende, para quem, a que preço, com que margem, por quais canais e com que taxa de fechamento. Se a agência manda um preço fechado sem perguntar nada, ela está vendendo um pacote.

Escreva o objetivo e o indicador no contrato

Não é preciso prometer resultado. É preciso combinar qual número vai mostrar que o trabalho está andando: contatos gerados, custo por contato, visitas qualificadas, propostas enviadas. Combine também quais números o relatório mensal vai trazer, no mínimo: verba investida, contatos, custo por contato e, com a sua ajuda, quantos viraram venda.

Deixe as contas e os ativos no seu nome

Antes de assinar, confirme em nome de quem ficam:

  • a conta de anúncios do Google e o portfólio de anúncios da Meta, com você como administrador e a agência como parceira;
  • o domínio do site, que no caso de .com.br é registrado com o seu CNPJ como titular;
  • o pixel, a tag do Google e o Analytics;
  • a base de contatos e o CRM, que precisam ser exportáveis e seus no fim do contrato;
  • os arquivos finais dos criativos produzidos.

Peça os acessos no primeiro mês, e não no último. É o item que mais gera conflito quando uma relação termina.

Separe fee e verba de mídia

O fee paga o trabalho da agência. A verba paga a mídia, e o ideal é que vá direto para a plataforma. Quando os dois aparecem num valor único, você não sabe quanto foi para anúncio. Se a agência cobra um percentual sobre a verba, entenda como ele funciona e o que acontece se você aumentar ou reduzir o investimento.

Entenda o modelo de cobrança

Existem quatro modelos mais comuns, cada um com um risco diferente:

ModeloComo funcionaVantagemRisco
Fee fixoValor mensal pelo escopo combinadoPrevisibilidadePouco incentivo para otimizar além do escopo
Percentual da verbaA agência recebe uma porcentagem do que você investe em mídiaEscala com a contaGanho cresce com o gasto, não necessariamente com o resultado
PerformanceParte ou todo o pagamento depende de um indicadorAlinha interessesExige indicador confiável e medição limpa
HíbridoFee menor mais bônus por metaEquilíbrio entre segurança e incentivoContrato mais complexo

A pesquisa setorial citada antes mostra uma mudança clara: o fee fixo, que era o modelo de 74% das agências em 2024, caiu para 32% em 2025, com os formatos híbridos e de performance ganhando espaço. Não existe modelo perfeito. Existe o que combina com o seu nível de maturidade em medição.

Uma observação nossa sobre o modelo de performance: a proposta de "só ganho se der resultado" parece ótima, e já aceitamos algumas no começo. Ela funciona melhor quando a empresa cuida da parte dela, porque o resultado depende também de atendimento, proposta e preço, e não só da campanha. Veja a seção a parte do cliente.

As perguntas da primeira reunião

  1. Qual indicador vocês vão usar para dizer que o trabalho está funcionando?
  2. Quanto de verba de mídia é necessário para o objetivo que passei, e como chegaram nesse número?
  3. Em nome de quem ficam as contas de anúncio, o domínio, o pixel e a base de contatos?
  4. Quem atende a minha conta, e em quanto tempo responde?
  5. Quantas contas cada gestor atende?
  6. O que acontece se eu quiser sair, e com quantos dias de aviso?
  7. Podem me mostrar um relatório real, com os dados do cliente ocultos?

Uma agência que responde à segunda pergunta com um número fechado, sem saber nada do seu negócio, merece desconfiança. A resposta saudável é: "preciso entender o seu ticket e a sua taxa de fechamento primeiro".

O que vemos na MindBrand: clientes que chegaram de outras agências

Falamos de cima de uma experiência concreta, e ela vale como dado, com os rótulos certos. A MindBrand foi a Fastcore, fundada em 2015, e mudou de nome há cerca de cinco anos. Alguns dos clientes que atendemos hoje estão conosco desde 2017, ou seja, desde antes da mudança de nome. Quem nos acompanha viu a empresa mudar de marca sem trocar de modo de trabalhar. A história completa está em nossa história.

De onde vêm os nossos clientes

Mais de 95% de todos os clientes que já atendemos vieram de outras agências, depois de uma experiência negativa. É um dado interno da MindBrand, sobre toda a nossa história, e não uma estatística de mercado. Ele importa por um motivo: quase todo mundo que chega até nós já passou por uma contratação que não funcionou, e já traz as perguntas certas. Foi o caso da Fix, que nos procurou em 2023, numa rodada com 15 agências, depois de já ter passado por outras agências.

O que costuma ter dado errado antes

Sem citar ninguém, os padrões que mais encontramos são sempre os mesmos: escopo vago, relatório com métricas de vaidade, conta de anúncio e domínio no nome da agência, atendimento que sumiu depois da assinatura e uma estratégia igual à de todos os outros clientes. É exatamente a lista de sinais da seção anterior.

O que fazemos diferente no primeiro mês

Começamos por um diagnóstico, e não por uma proposta. Entendemos o negócio, o ticket, o atendimento e a presença digital antes de falar em preço (o Diagnóstico Empresarial existe para isso). Combinamos por escrito o indicador, deixamos as contas e os acessos no nome do cliente e definimos quem atende e em quanto tempo. O que o cliente aprendeu a cobrar da agência anterior, passamos a oferecer sem ele precisar pedir.

O que mudou no negócio deles

Resolver o que deu errado e atender ao crescimento do negócio são duas etapas. A primeira é corrigir a base: medição, atendimento, posicionamento, página de destino. A segunda é crescer em cima dela. Não prometemos número, porque o resultado depende do que está dentro e fora da empresa, como mostramos neste artigo. Alguns casos estão em projetos.

Vale a pena para empresas B2B?

O B2B tem características que mudam a leitura de tudo o que vimos. O ciclo de venda é longo, a decisão envolve várias pessoas e o volume de contatos importa menos do que a qualidade deles. Uma agência que mede sucesso em cliques e em volume de leads vai parecer eficiente e entregar pouco.

  • Faz sentido contratar agência quando a empresa tem produto ou serviço definido, um processo comercial que atende e fecha, e uma meta que dá para medir em contatos qualificados e propostas.
  • Faz pouco sentido quando não existe equipe comercial, quando o posicionamento é indefinido ou quando a verba não cobre o objetivo.
  • Exige cuidado extra quando o ciclo de venda passa de três meses: o resultado do marketing demora a aparecer no caixa, e o relatório precisa mostrar etapas intermediárias.

Veja o que muda para empresas B2B em tráfego pago para B2B e indústria, e a solução Gerar demanda.

Agência, time interno ou consultoria: qual escolher?

Nem toda empresa precisa de agência. O melhor modelo depende de orçamento, maturidade e do quanto você quer controlar.

AgênciaTime internoConsultoria
CustoFee mensal, previsívelSalário mais encargos (1,4 a 1,7 vez o salário)Projeto ou mensalidade menor
ControleCompartilhadoTotalOrienta, não executa tudo
Velocidade para começarRápidaLenta (contratar e treinar)Rápida
EspecializaçãoVárias disciplinasDepende de quem contrataEstratégia e direção
RiscoEntrega diluída entre contasDependência de uma ou duas pessoasExecução fica com você
Faz mais sentido quandoQuer execução e não tem timeMarketing é central e o volume justificaPrecisa de direção antes de investir

Em muitos casos, a combinação funciona melhor: alguém interno que dá direção e cuida do atendimento, e uma agência que executa. Se o seu caso ainda está na fase de definir direção, a nossa consultoria em marketing é o caminho mais curto. Se o assunto é aparecer nas buscas, veja SEO.

Erros comuns

  • Trocar de agência sem diagnóstico. Se a causa estava no atendimento ou no posicionamento, a próxima agência vai bater no mesmo problema.
  • Julgar pelo relatório bonito. Alcance e curtidas não pagam conta.
  • Esperar resultado em 30 dias de um trabalho que leva ciclos de meses.
  • Negociar preço sem negociar escopo.
  • Fechar um modelo de "só ganho no resultado" sem que o atendimento, a proposta e o preço da empresa estejam prontos para sustentá-lo.
  • Deixar contas, domínio e pixel no nome da agência.
  • Medir só o fim do funil, sem saber de onde veio cada contato.
  • Esconder da agência o que acontece depois do contato. Ela só consegue otimizar o que enxerga.
  • Cancelar sem pedir acessos e arquivos antes.

Checklist antes de contratar (ou de renovar)

  1. Escreva o objetivo e o indicador em uma frase, antes de pedir qualquer orçamento.
  2. Faça a conta de verba: ticket, margem, taxa de fechamento e custo por contato.
  3. Revise o seu lado: quem atende os contatos, em quanto tempo, e onde ficam registrados.
  4. Peça diagnóstico antes da proposta.
  5. Confirme em nome de quem ficam contas, domínio, pixel e base de contatos.
  6. Pergunte quantas contas cada gestor atende e quanto tempo é previsto para a sua.
  7. Combine o relatório mensal: verba, contatos, custo por contato e vendas.
  8. Leia as cláusulas de prazo, multa e aviso prévio. Se necessário, consulte um advogado.

Glossário

  • Fee: valor cobrado pela agência pelo trabalho de gestão, separado da verba de mídia.
  • Verba de mídia: dinheiro investido nos anúncios, pago à plataforma.
  • Lead qualificado: contato que tem perfil e interesse reais de compra, e não apenas preencheu um formulário.
  • CPA: custo por aquisição, quanto custa conseguir um contato ou uma venda.
  • CRM: sistema que registra os contatos e o andamento de cada negociação.
  • Onboarding: fase inicial de uma contratação, em que a agência entende o negócio e configura a operação.
  • Churn: cancelamento de clientes numa carteira.
  • Métrica de vaidade: número que parece bom (alcance, curtidas) mas não mede venda.

Perguntas frequentes

Por que a agência de marketing não deu resultado?

Quase nunca por uma única causa. As mais comuns são proposta sem diagnóstico, objetivo sem indicador, verba incompatível com a meta, atendimento comercial que não converte os contatos e comunicação que some depois da assinatura. Antes de trocar de agência, vale descobrir em qual ponto o processo travou.

Quanto custa uma agência de marketing?

Depende do serviço, do porte da empresa e do escopo. O que se paga é tempo de profissionais com experiência, então preços muito abaixo da faixa de mercado costumam indicar corte de atenção, de análise ou de produção. Para estimar o seu caso, use o simulador de orçamento.

Por que uma agência barata não funciona?

Porque o preço precisa cobrir o custo do profissional, as ferramentas, os impostos e a margem. Quando é muito baixo, a agência compensa atendendo mais clientes por profissional, o que reduz o tempo dedicado a cada conta. Isso não vale para toda agência barata, mas é o primeiro ponto a investigar.

Quantos clientes uma agência consegue atender por gestor?

Não existe um número oficial. Na nossa experiência, há agências em que um gestor chega a cuidar de cerca de 20 contas de anúncio, o que deixa em torno de 8 horas por mês para cada uma. A melhor atitude é perguntar à agência quantas contas cada gestor atende e quanto tempo está previsto para a sua.

Fee fixo ou performance: qual é melhor?

Depende da sua capacidade de medir. O fee fixo dá previsibilidade, e o modelo de performance alinha interesses, mas exige indicador confiável e medição bem feita. Muitos contratos usam um híbrido: um fee menor mais um bônus por meta.

Em quanto tempo dá para ver resultado?

Os primeiros sinais, como contatos e custo por contato, costumam aparecer em semanas. A consolidação, com ajustes de campanha, página e atendimento, leva alguns meses. Em SEO e branding o prazo é mais longo. Desconfie de quem promete resultado em poucos dias.

De quem são as contas de anúncio e o site: minhas ou da agência?

Devem ser suas. A conta do Google Ads e o portfólio da Meta precisam estar no nome da sua empresa, com você como administrador. O domínio .com.br deve estar registrado com o seu CNPJ, e o pixel, o Analytics e a base de contatos devem ser exportáveis. Confirme isso antes de assinar.

Vale trocar de agência ou contratar alguém interno?

Depende do motivo. Se o problema foi atendimento, medição ou posicionamento, trocar de agência sem corrigi-los repete o resultado. Contratar alguém interno faz sentido quando o marketing é central no negócio e o volume justifica o custo, que fica entre 1,4 e 1,7 vez o salário. Em muitos casos, a combinação funciona melhor.

Marketing é custo ou investimento?

Depende de como é feito. Sem objetivo, sem medição e sem ligação com vendas, vira custo: uma despesa que não se sabe se compensa. Com indicadores, CRM e conversões conectados, vira investimento, porque cada real aplicado tem um retorno que se enxerga.

Dá para recuperar o marketing depois de uma experiência ruim com agência?

Dá, e é o que mais fazemos. O caminho é começar por um diagnóstico para descobrir onde o processo travou: medição, atendimento, posicionamento, verba ou escopo. Mais de 95% dos clientes que já atendemos vieram de outras agências. O Diagnóstico Empresarial é o primeiro passo.

Já teve uma experiência ruim com agência de marketing?

Se o último contrato não funcionou, o primeiro passo não é trocar de agência, é descobrir onde o processo travou. O Diagnóstico Empresarial analisa mercado, concorrência, presença digital, verba atual e o seu principal gargalo antes de qualquer proposta, e você decide com calma se quer seguir com a gente. Para entender o que cada serviço costuma custar, veja o simulador de orçamento e a solução Gerar demanda.

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